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Disputa pelo voto em 2016 promete ser a mais agressiva da história

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As eleições municipais do ano que vem prometem ser as mais agressivas e acirradas da história do país. Eleitores insatisfeitos com a economia, irritados com a política e políticos, intolerantes com opiniões diferentes e com acesso à tecnologia são ingredientes que, em seu conjunto, terão um efeito explosivo nas redes sociais sobre a reputação dos candidatos. “Se atualmente o conteúdo das mídias digitais já é um dos mais duros do mundo – superando Estados Unidos e Europa –, no ano que vem vai piorar, e muito”, avisa Alexandre Atheniense, advogado especialista em direito digital.
O prognóstico se justifica não apenas porque as eleições municipais envolvem candidatos mais próximos da vida e problemas cotidianos dos cidadãos. Mas também porque serão centenas de milhares concorrendo aos cargos. Em 2012, por exemplo, foram 482.870 candidatos nos 5.570 municípios do país. Além disso, a cada nova eleição é maior o acesso do brasileiro às redes sociais. Em janeiro deste ano, eram 150 milhões de smartphones no Brasil – que quase alcançam a população de pouco mais de 200 milhões. “Oitenta e cinco milhões já acessavam a internet, 59 milhões o Facebook e 41 milhões o Twitter”, informa o especialista da Medialogue, Alexandre Secco, citando os dados divulgados pela We are social, empresa de tecnologia que mantém atualizados os painéis dos usuários da rede mundial.As eleições presidenciais, alcançaram, por exemplo, o terceiro tópico no global ranking de 2014. Ninguém se arrisca a projeções para o ano que vem. Mas os especialistas têm clareza de que serão mais eleitores acessando as redes sociais do que os que o fizeram no último pleito. E embora 90% dos usuários das redes sejam consumidores da informação, a análise dos dados sugere que 9% se encarregam de reproduzir o que 1% produz, só que, em geral, antes de compartilhar distorcem o conteúdo segundo o seu interesse ou ideologia. “Esses 9% fazem muito barulho”, avalia Atheniense. Isso porque são eleitores com um perfil muito específico. “São jovens, irritados, superconectados e com equipamentos que facilitam o acesso”, revela Atheniense.

Será a segunda eleição em plena vigência do marco civil da internet. E se antes nada obrigava o provedor a divulgar os registros eletrônicos que identificassem os dados cadastrais do emissor da informação, agora é diferente. A nova lei garante maior efetividade para apurar crimes digitais. E a tecnologia já possibilita, inclusive, a identificação do endereço em que os computadores estão instalados. Apesar disso, contudo, as características do ativista digital no país sugerem maior ânimo para o ataque. “O brasileiro é mais propenso a ofender e espalhar o conteúdo negativo à reputação das pessoas na web do que propriamente de se engajar em causas de interesse público”, avalia o advogado.
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Clique que amplia

As campanhas políticas, que mantêm as equipes profissionais para ataque e resposta nos subterrâneos da rede, já ganharam uma coloração muito específica que se distancia dos conceitos de onde se inspiraram. “Antes das eleições presidenciais do ano passado, a referência era a campanha de Barack Obama (presidente dos EUA) de 2008, quando foram usados amplamente o Orkut e os e-mails, com o engajamento de uma equipe digital constituída por amigos e curiosos”, lembra Alexandre Atheniense.

Mas a aposta para 2016 é outra. As equipes serão profissionais em estilo desenvolvido no Brasil, para lidar com uma legislação consolidada, com candidatos on-line em tempo integral e uma parcela do eleitorado muito engajada e disposta a reproduzir e distorcer conteúdos no mundo virtual. “As redes sociais são a velha campanha de rua, à base do corpo a corpo. Quem não entendeu isso terá dificuldades para interagir com o eleitor, a menos que tenha um público muito segmentado”, avalia Atheniense.

 zap zap

Facebook, Whatsapp e Messenger do próprio Facebook tendem a ser as mídias mais empregadas nas eleições municipais do ano que vem. Em janeiro deste ano elas já alcançavam no Brasil, respectivamente 25%, 24% e 22% dos usuários da rede, tendência bem diferente da verificada nos Estados Unidos, onde o WhatsApp nem sequer aparece entre as 10 mídias digitais mais usadas.

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